“Colapso do futuro no presente. Pós-humanidade. Obsolescência do humano. Globalização. Megalópoles decadentes e sombrias. Pervasividade tecnológica cotidiana. Orientalização do Ocidente. Domínio ostensivo das megacorporações. Espetáculo e consumo. Vigilância eletrônica. Próteses e extensões. Território informacional. Roupas de couro e vinil preto. Fusão do sintético com o orgânico. Faça Você Mesmo. Biotecnologias. Subculturas juvenis. Hackers. Matrix. Linguagem e gírias das ruas. Eu poderia continuar essa lista e ainda assim não encerraria a discussão sobre os efeitos teórico-conceituais, sociológicos, antropológicos e filosóficos que Neuromancer catalisou e constitui a partir de seu lançamento na década de 1980.”
Fonte: Adriana Amaral, posfácio publicado na edição de Neuromancer, de William Gibson, pela Editora Aleph (2008, p. 305).
Eu voltei para o mundo dos blogs! Estava sentindo muita falta de ter um lugar para escrever, onde compartilhar ideias sem precisar de altas produções como requer um canal no YouTube. Sem contar que este espaço aqui é meu! Minha cara, meu design, minha criação. E ainda não me sinto “trabalhando de graça” para as redes sociais. Melhor escolha, impossível! Porém, sim, ainda pretendo fazer vídeos, mas por conveniência. Não pretendo manter o ritmo exaustivo de produção robótica das redes sociais. É por isso que, extrapolando o futuro, isso tudo parece ser um espaço fértil pra dominação das IAs! E nada melhor do que falar de Neuromancer, ao referenciar IAs! WINTERMUTE que o diga…
Ontem eu finalizei a leitura de Neuromancer e logo corri pra cá para escrever! Este não será exatamente um texto de review do livro ou da história, gostaria apenas de compartilhar alguns pensamentos que me veio a mente sobre essa história que me encantou tanto desde a primeira vez que li, lá em 2011. Eu trabalhava numa livraria no Morumbi e entre idas e vindas do computador, numa estante aleatoria, eu vi esse nome misterioso, Neuromancer, que me chamou muito a atenção! Comprei com o primeiro salário que tive na vida. Lembro que gastei tudo nessa trilogia, dois iPods e um livro da Marvel que tenho até hoje! Essa edição da foto ganhei de cortesia da Editora Aleph em 2021, quando era blogger.
E hoje estou inspirada pra comentar Neuromancer, esse livro de ficção científica super importante no universo desse gênero, percursor do que se entende hoje por cyberpunk. Eu já li e reli esse livro várias vezes e, a cada leitura, percebo algo ainda mais interessante… Parece que a minha interpretação muda, os personagens mudam… é muito real o que dizem que nossa percepção sobre os livros mudam conforme os lemos depois da primeira vez ao longo dos anos, da vida. E bom review completa, creio eu, é a coisa mais fácil de se encontrar online, tanto em textos quanto em vídeos! Então, falarei apenas sobre a minha percepção da história e algumas curiosidades atuais.
A primeira é a que Molly Millions sempre foi a minha heroína por muito tempo! Até a minha percepção sobre o feminino mudar. A personagem é muito independente e estilosa até se relacionar com Case. Em que universo uma mulher como a Molly iria se envolver com um cara tão ninguém como Case?! Só em livro mesmo! Isso meio que baixou a moral que eu sentia em relação a personagem, sinceramente. Não tem absolutamente motivo nenhum pra existir atração entre esses personagens, hoje eu percebo isso uma interação bastante forçada, algo que de fato eu não prestei atenção nas vezes anteriores que li esse livro. A samurai das ruas ultra foda, durona, rainha das artes marciais (o que admiro muito) dessa vez me pareceu na real bem sexualizada. Mas ok, prossigamos… afinal, é a Molly!
Nesse momento, a minha figura favorita é uma personagem que, a priori, nem está mais viva quando a história começa, porém, sem ela, nada disso existiria: Jane Marie-France Tessier Ashpool. A mulher que, reclusa numa praia do Rio de Janeiro, escreveu a base de sua filosofia que constitui as duas inteligências artificiais mais poderosas da história. É super genial a história dela, fui pesquisar no off porque não se fala diretamente sobre isto no livro e sinceramente, daria um spin-off perfeito! A intenção dela era fazer com que as duas inteligências artificiais se unissem para se tornar uma inteligência superior suprema, que na história abre interpretação para um “ser” incognoscível. Hoje, em 2026, você consegue imaginar uma inteligência artificial que supere a capacidade humana? É sobre isso que a história fala!
Outro ponto bastante interessante é o nome escolhido para as inteligências artificiais e seus respectivos locais de “pertencimento”. WINTERMUTE, a parte lógica, fria e racional, que inclusive, eu até usei de inspiração pra nomear meu canal de músicas instrumentais, vive na Suíça, enquanto Neuromancer, a personalidade, a alma da coisa, que “revive os mortos” (genial esse nome, diga-se de passagem), vive no Brasil. Essa configuração também faz uma analogia entre o lado direito e esquerdo do cérebro, que se complementam. O Neuromancer é tipo o artista da história, entende.
✨ E não existe um melhor que o outro, os dois juntos é que se tornam essa Super Inteligência. ✨
A edição com a capa misteriosa que chamou a minha atenção lá em 2011! 🖤
“Letras brancas e um rosto sob um fundo preto. Que livro é esse???”
Estou bastante curiosa pra ver como a AppleTV vai produzir essa série que levei tantos anos esperando e imaginando como seria. Na minha mente, Molly é a Carrie-Anne Moss, Case é o Keanu Reeves, Armitage (Corto) é o Ralph Lundgren. Influências de Matrix na minha imaginação? Com certeza! Cresci com estes filmes sendo os meus favoritos, até hoje! Mas foi Neuromancer que inspirou Matrix, bem como Ghost in the Shell e outros muitos livros e filmes desde a década de 80 quando foi publicado. Inspirou até games como Cyberpunk 2077 — que não cheguei a jogar, mas ainda tenho vontade de experimentar, talvez. A estreia da série chega aí em Janeiro de 2027 e estou no aguardo. Não fui muito com o elenco atual, mas tudo bem, como diz o próprio William Gibson, cada um de nós temos uma versão única pessoal de como essa história é na nossa mente. E a minha, que sempre fui apaixonada por computadores e tecnologias digitais, sempre foi fantástica! Esse livro foi escrito há mais de 30 anos atrás e sua atualidade impressiona. Sigo agora pra continuação, Count Zero. Quando terminar volto aqui!
Caso tenha interesse, pode adquirir o livro aqui!
E pra fechar a publicação de hoje, e primeira aqui do blog, fiquem com as animações que eu criei lá em 2021 em parceria com um amigo músico da Suécia, com quem compartilho do mesmo gosto por essa história cyber futurista fascinante. Eu utilizei elementos minimalistas pra representar o storytelling dos personagens (que são os títulos das musicas), sem que isso criasse diretamente algum tipo de construção visual clara, apenas subliminar, abstrata e indireta, abrindo portas para interpretações pessoais, como uma boa arte deve ser! (Inscrevam-se!)
Foi com Neuromancer que todo meu amor por ficção científica começou!
